Mineração brasileira premia soluções de segurança, inovação e sustentabilidade em 2026

Prêmio do IBRAM reúne 216 projetos e destaca soluções da Vale, Anglo American, Lundin Mining, Nexa e outras empresas em segurança, manutenção, descarbonização, rejeitos e recursos hídricos.

Mineração brasileira premia soluções de segurança, inovação e sustentabilidade em 2026
Imagem ilustrativa gerada por IA

Prêmio Boas Práticas na Mineração do Brasil reuniu 216 trabalhos e destacou projetos voltados à segurança dos trabalhadores, riscos operacionais, eficiência energética, rejeitos, água e biodiversidade.

A mineração brasileira colocou em evidência nesta semana uma série de projetos desenvolvidos dentro das próprias operações para enfrentar desafios de segurança, manutenção, confiabilidade, sustentabilidade e eficiência. A 7ª edição do Prêmio Boas Práticas na Mineração do Brasil, promovida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), reconheceu iniciativas de diferentes empresas do setor durante cerimônia realizada em Belo Horizonte, em 20 de outubro.

A edição de 2026 recebeu 216 trabalhos, dos quais 57 foram selecionados para apresentação. Ao todo, 537 autores participaram da iniciativa, que contou ainda com 35 avaliadores e resultou em 35 premiações. Segundo o IBRAM, mais de 500 pessoas participaram da programação.

Os projetos foram divididos em sete grandes categorias: Saúde e Segurança Ocupacional, Segurança de Processos, Normas Técnicas, Descarbonização e Eficiência Energética, Disposição de Rejeitos e Estéreis, Recursos Hídricos e Natureza Positiva.

Segurança do trabalhador ganha destaque

Entre os projetos premiados, uma das áreas que mais chama atenção é a de Saúde e Segurança Ocupacional, especialmente por trazer soluções ligadas diretamente às rotinas de manutenção e operação.

O primeiro lugar na categoria relacionada à proteção do trabalhador em partes móveis de máquinas e equipamentos ficou com a Anglo American, com o projeto “Chute Encamisado Modular para Redução de MTTR e da Exposição a Espaço Confinado e Trabalho em Altura em Transportadores de Correia”.

A proposta chama atenção por unir dois pontos importantes dentro da manutenção industrial: redução do tempo médio de reparo, o chamado MTTR, e diminuição da exposição de trabalhadores a atividades críticas.

Transportadores de correia estão entre os equipamentos mais presentes em operações de mineração e beneficiamento mineral. Qualquer melhoria capaz de reduzir tempo de intervenção e exposição a riscos pode gerar impactos importantes tanto para a segurança quanto para a disponibilidade dos ativos.

Em segundo lugar ficou um projeto da Vale voltado à manutenção segura de marteletes em perfuratrizes de escória, utilizando controles de engenharia. O terceiro lugar também ficou com a Anglo American, com uma iniciativa de inspeção preditiva aplicada à segurança e confiabilidade de moinhos verticais.

Riscos psicossociais também entram na pauta

Outro ponto relevante da premiação foi a presença de projetos voltados aos riscos psicossociais.

A Vale conquistou os dois primeiros lugares nessa área. O projeto vencedor foi “Cuidado com as Pessoas: Gestão Integrada de Riscos Psicossociais e Felicidade Corporativa na Diretoria de Serviços Técnicos de Mineração”.

Em segundo lugar ficou a iniciativa “Riscos Psicossociais na Mineração: a estratégia da Vale para conformidade com a NR-01”.

A presença desse tema entre os projetos premiados mostra como a gestão de segurança e saúde ocupacional na mineração está ampliando seu campo de atuação, indo além dos riscos físicos e mecânicos tradicionais e incorporando fatores organizacionais e psicossociais.

Segurança de processos e riscos críticos

Na categoria Segurança de Processos, o primeiro lugar ficou com a Vale, com um modelo de governança para priorização de vulnerabilidades em segurança de processos na mineração.

Outro projeto da empresa, relacionado à iniciação sem fio de explosivos como controle contra descargas atmosféricas em mina a céu aberto na Amazônia, ficou na segunda colocação.

A Ferbasa conquistou o terceiro lugar com uma iniciativa dedicada à gestão estruturada de riscos críticos relacionados à integridade estrutural de ativos de mineração.

Esses projetos reforçam uma tendência importante no setor: utilizar dados, engenharia, sistemas de gestão e tecnologia para antecipar falhas antes que elas se transformem em acidentes ou perdas operacionais.

Inteligência artificial também aparece entre os projetos

A tecnologia também ganhou espaço na premiação.

Na categoria de Normas Técnicas e Análise Química, a CSN conquistou o segundo lugar com uma iniciativa que utiliza inteligência artificial para apoio à determinação de PPC e otimização do controle de qualidade química.

A Vale ficou em primeiro lugar nessa categoria com um trabalho de otimização de método laboratorial visando aumento de produtividade sem perda da confiabilidade metrológica.

Na área de amostragem, a Vale também venceu com um projeto de validação estatística de uma célula robotizada para preparação de amostras de minério de ferro.

Eletrificação e redução de emissões

A transição energética das operações minerais também apareceu com força.

Na categoria de Eletrificação e Descarbonização, o primeiro lugar ficou com a AngloGold Ashanti, com a validação operacional e energética de uma carregadeira elétrica a bateria em mina subterrânea profunda.

Em segundo lugar, a Itaminas apresentou um projeto piloto para substituição parcial da frota de caminhões a diesel por caminhões elétricos em uma mina de ferro.

A Samarco ficou na terceira posição com um projeto relacionado a avanços na matriz energética dos fornos de pelotização.

Esses projetos mostram como a mineração está testando novas tecnologias para reduzir consumo de combustíveis fósseis, emissões e custos energéticos.

Barragens, rejeitos e gestão da água

A gestão de rejeitos e recursos hídricos também teve destaque.

Na categoria de disposição de rejeitos e estéreis, a Lundin Mining conquistou o primeiro lugar com uma iniciativa de disposição in pit voltada à sustentabilidade e segurança geotécnica.

A Mosaic ficou em segundo lugar com um projeto de monitoramento integrado de barragens utilizando métodos geofísicos.

Já a Kinross conquistou o terceiro lugar com uma arquitetura de gerenciamento para sistemas de acionamento de sirenes em barragens.

Na categoria de recursos hídricos, a Alunorte venceu com um projeto de segregação de águas pluviais e gestão sustentável de água.

Outro destaque foi a CSN, que apresentou uma iniciativa capaz de recuperar mais de 10 milhões de metros cúbicos de água por ano por meio da integração entre clarificação, controle de turbidez e recirculação.

Conhecimento compartilhado pode acelerar melhorias

Para o IBRAM, a importância do prêmio vai além do reconhecimento individual de cada projeto.

A proposta é incentivar que experiências desenvolvidas dentro de determinadas operações possam ser compartilhadas e servir como referência para outras empresas do setor.

Segundo o instituto, disseminar boas práticas permite acelerar a evolução da mineração brasileira em áreas como segurança, produtividade, sustentabilidade, uso de recursos naturais e prevenção de riscos.

A edição de 2026 também fez parte das comemorações pelos 50 anos do IBRAM.

Para quem trabalha no chão de fábrica, na manutenção, na engenharia ou na segurança do trabalho, a lista de projetos premiados mostra algo importante: muitas das principais melhorias da indústria continuam surgindo a partir de problemas reais das operações.

Transformar esses problemas em soluções replicáveis pode ser um dos caminhos mais eficientes para elevar simultaneamente segurança, confiabilidade e desempenho.

Fonte principal: Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), divulgação de 21 de outubro de 2026.